sábado, 30 de agosto de 2014

Mudança


  Walnize Carvalho

 Na manhã  de sábado o dia mesmo de sol  e frio dá sinais de que continua em   cartaz é o inverno.
 Chego ao portão de casa.
 Na rua deserta enxergo ao longe o solitário ipê e exclamo: - Nossa, o “ipê”  floriu de novo! Este ano já é a terceira vez...Mas, desta vez estando batendo à porta a primavera...
 Apesar  da temperatura fico ali por alguns minutos a observar o esplendor do pé florido que reina absoluto.
 A copa da árvore de douradas flores ilumina a manhã.
 Mesmo tendo o seu lenho bem resistente, o ipê se vê acariciado pelo sopro do vento e se deixa desnudar cobrindo toda a calçada com um belo tapete amarelo.
 O espetáculo natural se encerra sem platéia até a próxima florada dando provas de que a primavera também fez o seu registro antecipado. 
 Corro os olhos. Avisto o sol por entre as folhagens da palmeira que adorna a calçada de outro vizinho. Apesar de sua timidez o astro rei também quer entrar em cena. 
 Entro em casa cantarolando os versos de Renato Russo: ”Mudaram-se as estações/ mas nada mudou...”

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Facebook altera regras para inibir "pegadinhas"

fonte:http://www.metaanalise.com.br/

 

O Facebook fez duas atualizações em sua página para diminuir a quantidade de “notícias spam” na linha do tempo de seus usuários. A primeira tem o intuito de diminuir a quantidade de “caça-cliques” e a segunda auxiliará as pessoas na visualização de links compartilhados em um formato melhorado.
O caça-clique funciona ao publicar um post com uma legenda que chame a atenção do leitor ao clicar e entrar em um link para ver mais. Postagens desse gênero costumam dar mais cliques, o que aumenta sua presença na linha do tempo dos usuários. Porém, segundo o Facebook, uma recente pesquisa da empresa revela que 80% dos usuários preferem ver chamadas que os ajude. Será caracterizado caça-clique mensagens que o usuário clicar, mas não passar muito tempo fora da rede social, e logo voltar ao Facebook. De acordo com a empresa, isso demonstra que o internauta clicou e não encontrou o conteúdo que desejava na notícia. O número de comentários e curtidas no post também vão indicar se ele é um caça-clique.
Já o compartilhamento de posts, terá como prioridade o formato como foto grande e legenda, sem links. Novamente, o Facebook chegou a este resultado por meio de análise.
Em suma, a partir de agora, tanto o usuário do Facebook como as empresas que publicam posts na rede social devem publicar seus posts sem links na legenda. Desse modo terão destaque e aparecerão mais na linha do tempo dos usuários.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Público dos cinemas aumenta, mas procura por filmes brasileiros cai 4,4%

Da EFE

80,6 milhões de pessoas foram às salas; 85,8% viram longas estrangeiros.
Ancine divulgou resultados do primeiro semestre de 2014 


O público nas salas de cinema no primeiro semestre de 2014 cresceu 10% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando um total de 80,6 milhões de espectadores, informou nesta segunda-feira (25) a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
A maioria dos espectadores foi às salas de cinema para ver filmes estrangeiros, que atraíram 85,8% do público, enquanto as produções nacionais viram seu público reduzir 4,4% em relação aos seis primeiros meses de 2013.
Durante o primeiro semestre de 2014 foram exibidos nas salas brasileiras 195 títulos diferentes, dos quais 55 eram de produção nacional e 140 estrangeiros.
O filme nacional de maior arrecadação foi "Até que a sorte nos separe 2", comédia de Roberto Santucci, com R$ 33 milhões arrecadados até julho. A produção americana "Rio 2", do diretor brasileiro Carlos Saldanha, foi o filme de maior bilheteria neste período, com R$ 63 milhões de arrecadação.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cine Jornalismo sábado (30)

“O Americano Tranquilo” no Cine Jornalismo sábado (30)
Em meio à batalha pela libertação do domínio francês, um repórter e um idealista militante se encontram e, mais tarde, formam um triângulo amoroso bastante tumultuado com uma bela vietnamita. Indicado ao Oscar de Melhor Ator (Michael Caine), o filme “O Americano Tranquilo” (EUA, 2002), estará em cartaz no Cine Jornalismo da Associação de Imprensa Campista (AIC), neste sábado (30), às 16h.
A exibição acontece na sede da AIC, Rua Tenente Coronel Cardoso, 460. Ao final, o público vai poder bater um papo com o jornalista Rafael Vargas. O Cine Jornalismo acontece há seis anos e visa propiciar aos jornalistas, estudantes de jornalismo e demais interessados em mídia, uma análise sobre a própria profissão, a partir dos temas que os filmes abordam. A entrada é franca e todas as sessões são válidas como horas acadêmicas no curso de Jornalismo do Uniflu.
Sinopse - A trama se passa no ano de 1952, com Saigon em plena guerra. É nesta época que chega Alden Pyle (Brendan Fraser), um agente da CIA, idealista, que é enviado para ajudar as forças locais. Lá, ele conhece Thomas Fowler (Michael Caine), um veterano correspondente do jornal London Times, que lhe apresenta Phuong (Do Thi Hai Yen), uma bela vietnamita com quem está envolvido. Pouco tempo depois, Pyle acaba se envolvendo com Phuong, criando um triângulo amoroso que traz uma série de revelações à tona.



 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Imperdível


Dez célebres casos de plágio na música

Os autores da ação contra o Radiohead ganharam crédito ao lado de Thom Yorke por 'Creep'
Shakira
Uma canção da cantora Shakira entrou recentemente na lista dos plágios mais conhecidos
Um juiz de Nova York, nos Estados Unidos, considerou nesta semana que a canção Loca, da cantora colombiana Shakira, é um plágio de uma obra do compositor dominicano Ramón Arias Vásquez.
De acordo com o juiz Alvin K. Hellerstein, tanto Loca, como o tema em que foi inspirada, Loca con su tíguere, do dominicano Edward Bello Pou, conhecido como "El Cata", são plágio de uma música de Arias.

Embora Shakira tenha gravado Loca, do álbum Sale el Sol(2010), tanto em inglês quanto em espanhol, o juiz disse que só a versão em espanhol infringiu os direitos autorais.
O magistrado determinou que as partes voltem a negociar e que elaborem um documento conjunto que apresente um acordo sobre quanto pagar em indenização à produtora Mayimba, que representa Arias.
Representantes de Shakira disseram que ela gravou Locasem imaginar que a música um dia viria a ser acusada de plágio, segundo a agência de notícias AP.
"A música foi apresentada à Shakira por El Cata. Ela não tinha conhecimento de que existiam outros participantes na canção, e a ação não foi dirigida a ela pessoalmente", afirmaram.
Nas últimas décadas, várias bandas e cantores foram condenados a indenizar outros músicos ou fecharam acordos amigáveis por acusações de plágio.
The Beatles
No início da carreira, os Beatles foram muito inspirados por artistas de rock americanos
Veja a lista que a BBC Brasil produziu com dez dos casos mais célebres.
1- The Beatles, Come Together
Pouco depois do lançamento do álbum mitológico Abbey Road, em 1969, a gravadora do precursor do rock americano Chuck Berry acusou a banda britânica de ter copiado a letra e a melodia da canção You Can't Catch Me no tema escrito por John Lennon.
Lennon reconheceu ter conhecimento da canção de Berry e os Beatles fecharam um acordo extrajudicial que permanece em sigilo. Foi o único caso de plágio envolvendo a banda.
2-Rod Stewart, Do Ya Think I'm Sexy
O hit mundial do britânico Rod Stewart foi lançado em 1978 e dominou as pistas de dança. Não demorou para representantes de Jorge Ben repararem na inacreditável semelhança com o famoso "te te teretê", refrão de Taj Mahal, lançada pelo brasileiro no álbum Ben em1972. O caso também foi resolvido extrajudicialmente. Stewart, em sua biografia de 2012, admitiu que foi um caso de "plagiarismo inconsciente".
3 - George Harrison, My Sweet Lord
My Sweet Lord foi o primeiro single do primeiro disco solo do ex-guitarrista dos Beatles, All Things Must Pass (1970).
Michael Jackson
O Rei do Pop teve que indenizar o camaronês Manu Dibango por 'Wanna Be Starting Something'
Uma empresa de Nova York, a Bright Tunes, entrou na Justiça contra Harrison alegando que a canção era muito parecida com He's So Fine, de Ronald Macky, e gravada em 1962 por The Chiffons.
Harrison não admitiu culpa e acabou condenado por "plágio inconsciente", pagando mais de US$ 500 mil em indenizações.
4 - Morris Albert, Feelings
O maior sucesso do brasileiro Maurício Alberto Kaisermann, lançado em 1974, e regravado por artistas que vão de Frank Sinatra e Ella Fitzgerald a Gretchen, foi considerado uma cópia de Pour Toi, composta pelo francês Louis "Loulou" Gasté, e gravada em 1956 pela cantora Line Renaud. Um tribunal americano considerou a música um plágio e determinou o pagamento de US$ 500 mil em indenização, além de destinar 88% dos royalties futuros da música ao francês. O crédito da canção hoje é Gasté/ Morris.
5 - Michael Jackson, Wanna be starting something
O hit Wanna be starting something abre um dos discos mais vendidos de todos os tempos, o Thriller, do Rei do Pop. Pouco depois de chegar às prateleiras, em 1983, o saxofonista e cantor camaronês Manu Dibango acusou Jackson de ter copiado a música Soul Makossa, de 1972. Jackson - que havia usado a linha melódica de Dibango no final da canção - foi obrigado a pagar 1 milhão de francos franceses (cerca de US$ 200 mil) a Dibango por direitos autorais.
6- Roberto Carlos, O Careta
O Rei foi condenado por plágio em 2004. A ação do compositor Sebastião Braga, que tinha composto a canção sob o nome Loucuras de Amor anos antes, tramitou durante 14 anos. Roberto Carlos acabou sendo condenado e teve que pagar uma multa de R$ 2,6 milhões. A música foi retirada do catálogo discográfico do Rei.
Irmãos Gallagher
Os irmãos Gallagher foram condenados pelo plágio de uma canção usada em comercial da Coca-Cola
7 - Ray Parker Jr., Ghostbusters
O compositor Ray Parker Jr. compôs em 1984 o tema principal do campeão de bilheteria Os Caça-Fantasmas. Depois da estreia do filme, o roqueiro Huey Lewis entrou na Justiça contra Parker Jr. dizendo que o ritmo da canção era igual à sua música I Want a New Drug, de 1984. As partes fecharam um acordo extrajudicial que também foi mantido em sigilo.
8 - Michael Bolton, Love is a Wonderful Thing
O cantor americano Michael Bolton foi condenado a pagar uma indenização de US$ 5,4 milhões depois que a Justiça considerou a sua canção Love Is a Wonderful Thing, do álbum Time, Love & Tenderness(1991). A música foi considerada parecida demais com o tema de mesmo nome dos Isley Brothers, lançado em 1966.
9 - Radiohead, Creep
A canção Creep, de 1992, catapultou a banda britânica Radiohead ao sucesso mundial, tornando-a um dos grandes nomes da década de 90. Mas os compositores da canção The Air That I Breathe, da banda The Hollies, entraram na Justiça alegando plágio. No final do processo, Albert Hammond e Mike Hazlewood conseguiram ter seus nomes incluídos como co-autores do clássico do Radiohead.
10 - Oasis, Shakermaker
Os irmãos Noel e Liam Gallagher, fundadores da banda britânica Oasis, foram acusados de plágio várias vezes. O caso mais recente foi o da melodia de Shakermaker, canção do álbum de estreia da banda, Definitely Maybe, de 1994. Os integrantes de outra banda, The New Seekers, disseram que a canção era cópia do tema I’d Like to Teach the World to Sing (1971), que chegou a ser usado em uma campanha publicitária da Coca-Cola. O Oasis foi obrigado a indenizar os autores em US$ 500 pelo plágio.

sábado, 23 de agosto de 2014

Em tempo de boas lembranças


Walnize Carvalho

E na Semana do Folclore,a inocência entra na roda:

“Não passe embaixo de escada, dá azar”...
“Não deixe o calçado virado, a mãe morre”...
 “Não negue algo à mulher grávida, nasce terçol”... 
“Não coma casca de queijo, fica mentiroso”...
 “Não aponte estrelas, nasce verruga na ponta do dedo”...
 “Cuidado ao cruzar com gato preto”...
   E mais:
 Galo cantando, sinal de tristeza...
  Urubus no céu, prenúncio de agouro... 
Desenhar o sol no chão em dias chuvosos... 
 “ Meu São Longuinho, se eu achar dou três pulinhos”... 
 “Chuva e sol, casamento de espanhol”
  “Sol e chuva, casamento de viúva” 
    “pera/ maçã”, 
“pirulito que bate, bate”,
 “pique esconde”
 “tá quente, tá frio”...   
Amarelinha
pular corda. 
 passar anel... 
“Se esta rua/ Se esta rua fosse minha/ Eu mandava/ Eu mandava ladrilhar”...
“Samba lê lê está doente/ Está com a cabeça quebrada”...
 “Eu sou pequenininha/ do tamanho de um botão/ Trago papai no bolso/ e mamãe no coração”...
"Ciranda/cirandinha/vamos todos cirandar".

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Exposição


Propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV a partir de hoje


Do:http://www.redebrasilatual.com.br/

A propaganda eleitoral está dividida em dois blocos diários. Nas rádios, a transmissão irá das 7 horas às 7h25 e das 12 horas à 12h25. Na televisão, o primeiro bloco se inicia às 13 horas e vai até 13h25 e, à noite, a propaganda é retomada das 20h30 até 20h55. Terça-feira, quinta-feira e sábado estão destinados à propaganda de candidatos à presidência e segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira às campanhas estaduais.
O horário se estenderá até o dia 2 de outubro, em primeiro turno

sábado, 16 de agosto de 2014

Crer ou não crer

                           


                                                                    Walnize Carvalho

        Estamos na metade do mês de agosto. Mesmo assim, aproveito para,nesta crônica de hoje, tecer comentários sobre crendices que permeiam nosso dia a dia, em especial, neste oitavo mês do ano. Por sua origem popular, elas também integram a sabedoria ou superstição de um povo e estão associadas a pesar, tristeza, dissabor e sofrimento
           Quem nunca ouviu o dito popular: “Agosto é o mês do desgosto”?
       A verdade é que a crença popular de que agosto é o mês de desgosto não é somente um ditado popular que rima; é, também, uma superstição internacional de grande aceitação entre nós, principalmente na zona rural do país, destacando-se, de modo muito particular, em todo o Nordeste, onde o processo de colonização foi homogeneamente português. 
        É sabido que os romanos deram ao oitavo mês do ano o nome de agosto, em homenagem ao Imperador Augusto. 
            Conta-se , também, que as mulheres portuguesas não casavam nunca no mês de agosto, pois nesta época os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras.  Casar em agosto significava ficar só, sem lua-de-mel e, às vezes, até mesmo viúva. Os colonizadores portugueses trouxeram esta crença para o Brasil. 
            Existem muitos registros históricos de desastres e outros fatos ruins ocorridos durante o mês de agosto.
           Pesquisas detalhadas e, até certo ponto, macabras fazem o registro de datas marcantes. Irei transcrever algumas: Em 24 de agosto de 1572, a rainha da França, Catarina de Médici ordenou o massacre de São Bartolomeu, também conhecida como a “Noite de São Bartolomeu”. Foi um episódio sangrento na repressão aos protestantes na França pelos reis franceses, que eram católicos e  que ceifou milhares de vidas.  Seguindo a saga  do mês... em 24 de agosto de 1910, o Japão invadiu a Coréia, às custas de muito sangue, de muitas lágrimas. Também  ficou marcante que a  1º de agosto de 1914 começou a 1ª Grande Guerra Mundial assim como em agosto de 1939 os homens iniciaram a II Grande Guerra Mundial.E segue a História trazendo mais fatos: Em 2 de agosto de 1932, o líder nazista,Adolfo Hitler assume o governo da Alemanha. 
            Dentre outras catástrofes, em 8 de agosto de 1937, a cidade de Pequim foi  invadida pelos japoneses e entre os dias 6 e 9 de agosto de 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki foram destruídas pela bomba atômica, nisto que foi certamente o maior genocídio da História.
Já no Brasil, dois presidentes da República, muito amados pelo povo, morreram tragicamente no mês de agosto: Em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas praticou suicídio, “saindo da vida para entrar na História” e em 22 de agosto de 1976, Juscelino Kubitscheck faleceu, vítima de um desastre automobilístico. Já no dia 25 de agosto de 1961, o país foi surpreendido pela renúncia do Presidente Jânio Quadros.
        Em nossa Campos, em15 de agosto de 1937, em um comício de Integralistas na praça  São Salvador ,centenas de pessoas foram chacinadas.
        E mais um fato deixa marcas neste mês de agosto: no último dia 13 morreu Eduardo Campos -   candidato à presidente do Brasil nas próximas eleições – em acidente aéreo em Santos/SP.
       Fatalidade? Coincidência? O certo é que só nos cabe crer ou não crer em uma destas duas possibilidades  que fazem engrossar o coro dos que dizem que “Agosto é o mês do desgosto”

       








        






quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Prêmio Nobel de Matemática

Escola deve priorizar lado criativo da matemática, diz 'Nobel' brasileiro

Eric Brücher Camara
Da BBC Brasil em Londres
Compartilhe
 Imprimir Comunicar erro
  • Folhapress
O ensino fundamental deveria destacar o lado criativo da matemática, na opinião do pesquisador brasileiro Artur Avila, ganhador de uma Medalha Fields – prêmio que é frequentemente chamado de "Nobel da matemática".
O prêmio foi considerado a mais importante distinção científica já conquistada por um brasileiro.
Em entrevista à BBC Brasil, Avila afirmou que a matéria é apresentada de forma pouco interessante, o que pode afastar crianças talentosas da carreira científica.
"Na atividade real, fazer matemática é uma coisa extremamente criativa", disse.
O pesquisador, que divide o seu tempo entre o Rio de Janeiro e Paris, afirmou que ele mesmo só se deu conta do apelo da profissão ao participar de uma Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).
Embora o Brasil já faça matemática em um nível elevado em certos campos, ainda há muito para ser feito em questão de estender as áreas de atuação neste nível e também levar a produção matemática a outras áreas do paísArtur Avila, ganhador de uma Medalha Fields, o "Nobel da matemática"
O evento abriu as portas de uma carreira vertiginosa, que o levou a completar um doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – o Impa, com sede no Rio – aos 21 anos.

Impulso à matemática

"Eu tinha outras coisas que me interessavam, mesmo em ciências. Foi só quando eu compreendi que tinha tanta criatividade em matemática que eu escolhi de fato esta direção", disse, por telefone, de Seul, na Coreia do Sul, onde participa do Congresso Internacional de Matemática (CIM).
Para ele, além do orgulho pela conquista do prêmio mais prestigioso do planeta em matemática, o Brasil vive um momento importante para o seu campo.
Em 2017, o país sediará a Olimpíada Internacional de Matemática pela primeira vez.
No ano seguinte, acontecerá no Rio o próximo CIM, o maior evento da área, em que são anunciados os vencedores da Medalha Fields.
Avila, vencedor de diversos outros prêmios internacionais – entre eles, uma medalha de ouro na OBM e distinções das sociedades Europeia e Brasileira de Matemática – admitiu ter ficado surpreso com a honraria.
A medalha é dada apenas a pesquisadores com menos de 40 anos, cujos trabalhos sejam considerados fundamentais para o avanço da matemática, e por isso, é mais comum que os laureados estejam próximos da idade limite.
No entanto, Avila tem apenas 35 anos, e ainda poderia ser escolhido para o prêmio de 2018.
"Fiquei surpreso", disse.
Na entrevista à BBC, o matemático se mostrou ligeiramente incomodado com a frequente comparação da Fields com o Nobel.
"A medalha Fields é difícil, não se pode usar isso como parâmetro. Para se ter uma ideia, a Alemanha tem só uma. Ou seja, não tem 10 ou 20 medalhas Fields por país", disse.
Por isso mesmo, para ele é "bem mais estranho que não exista um Nobel nas outras áreas do que não ter existido uma medalha Fields para o Brasil até agora".

Oportunidades

Uma possível razão para isso, segundo Avila, seria a escassez de recursos para ciência no Brasil.
Pelo menos no campo dele, os próximos anos apresentarão grandes oportunidades para o governo.
"E mesmo em outros níveis e talvez estimular pessoas a considerarem a carreira", completou.
Para isso, o governo deveria refletir sobre a "maneira certa" de incentivar a ciência.
"Não é muito caro, creio, fazer ciência, dentro de todo o orçamento que têm", afirmou. "Embora o Brasil já faça matemática em um nível elevado em certos campos, ainda há muito para ser feito em questão de estender as áreas de atuação neste nível e também levar a produção matemática a outras áreas do país."
Para isso, evidentemente, o Brasil precisará de novos matemáticos. Mas essa é realmente uma carreira é viável para quem também busca segurança?
"É uma carreira de classe média, de bom nível no Brasil, talvez mais que na França", disse.
Avila acrescentou que há diversas compensações adicionais, além é claro da satisfação de se fazer aquilo que se gosta.
Ele diz que a matemática garante bastante liberdade e é uma carreira pouco hierarquizada.
"Não tem que lidar com chefe, você decide no que vai trabalhar e como vai obter resultados. Você pode adaptar o modo de trabalhar às próprias características."
Trata-se de pontos positivos para o carioca, que gosta de pensar nas soluções de complexos problemas abstratos andando de bermuda na praia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Jato cai em Santos, no litoral paulista, e mata Eduardo Campos

DO:Zero hora
Um jato particular caiu em Santos, no litoral de São Paulo, e atingiu casas por volta das 10h desta quarta-feira. Na aeronave, estava o candidato à presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que morreu no acidente

Assessores do político, um cinegrafista, um fotógrafo e dois pilotos também estariam na aeronave e teriam morrido. A candidata à vice-presidência, Marina Silva, a mulher e o filho do presidenciável não estavam no jato — que pertencia à empresa Af Andrade Empreendimentos e Participações Ltda. Os familiares do político estariam em Recife. Quatro pessoas ainda ficaram feridas no acidente, conforme a prefeitura de Santos.
Integrantes da campanha de Campos se dividiram nesta quarta-feira em duas aeronaves: parte viajou ao Recife e o restante a Santos — e Eduardo Campos estava no jato em direção à cidade paulista. O presidenciável estaria se deslocando para um evento no Guarujá. Na noite de terça-feira, ele concedeu entrevista ao Jornal Nacional.

Foto: Cristiano Mariz, Especial
Ainda de acordo com o Comando da Aeronáutica, a aeronave é um Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Aeroporto de Guarujá (SP). Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave.
O deputado federal pelo PSB no Rio Grande do Sul Beto Albuquerque recebeu a notícia da morte de Eduardo Campos em um evento na Federasul. Abalado, o parlamentar preferiu não comentar o assunto até o momento. Ele se desloca para São Paulo ainda nesta quarta-feira.
A Aeronáutica informou que já começou as investigações para apurar os fatores que possam ter contribuído para o acidente. Viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, da Polícia Militar e dos bombeiros atenderam ao acidente. O analista de logística ferroviária Tássio Ricardo Cardozo Silva, 25 anos, presenciou o exato momento em que o jato caiu. Eram 10h02min, segundo Tássio, quando a aeronave "caiu de bico".

— Eu trabalho a 300 metros do local e vi o avião caindo a uns 65 graus, de bico. Minha mesa fica de frente para a janela e presenciei a aeronave desabando. Fiquei sem reação, depois caí na real. Teve explosão e muita fumaça. Os socorristas chegaram rápido — disse.
Campos morreu no mesmo dia do falecimento do avô Miguel Arraes. Aos 49 anos, o político deixa a mulher, a economista Renata Campos, e cinco filhos.


...e no mundo dos blogs

Do:http://www.mundodse.com/


sábado, 9 de agosto de 2014

Tem CHORO dia 13


Recebi da jornalista Patrícia Bueno:
QUARTA AO SOM DO CHORINHO
Depois do sucesso da abertura, com Altemar Dutra Jr., o Choro & Cia. retorna ao foyer, onde o Conjunto Regional Carinhoso recebe Forró Didoido, Pedro Maia e Grupo Gotta
Doses generosas de Chorinho, MPB, literatura e o tempero do bom forró pé-de-serra. A receita da diversão para a próxima quarta-feira, 13, em Campos, é mais uma edição do projeto Choro & Cia., que acontece a partir das 20h, no foyer do Teatro Municipal Trianon, com ingresso a R$ 1,00.
No palco, dando voz ao projeto do Clube do Choro & Cia e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, estarão os músicos do Conjunto Regional Carinhoso: Eumir Gama (violão sete cordas), João Ernesto Aldred Pinto Filho (bandolim), Mailton Gonçalves Ferreira (violão seis cordas), Valzinho (pandeiro), Alba Valéria (voz e coordenação), Júlio César de Paiva Ferreira (cavaquinho) e Daltinho Freire (sopro). Mais uma vez, o Regional vai executar clássicos do gênero, como Carioquinha, de Waldir Azevedo, Flor Amorosa, de Joaquim Callado e muitos outros. Esta última música composta em 1867.
Entre os convidados especiais da noite estão o cantor Pedro Maia e o Trio Forró Didoido, que acaba de gravar o CD “Viajei pelo Sertão”.Ambos prometem esquentar a noite de inverno no foyer. No intervalo poético, a ordem é homenagear José Cândido de Carvalho, no mês de seu centenário. Quem comanda a homenagem são os integrantes do grupo Gotta (Grupo de Contadores de Histórias), que apresentam “Palavra de Ponciano de Azeredo Furtado”, com oito jovens atores em cena. O Projeto Choro & Cia. iniciou sua temporada 2014, no mês passado, recebendo o cantor Altemar Dutra Jr., em noite de muito romantismo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Conta de luz vai ficar mais cara em 2015, diz ministério

DA: Agência Brasil
O impacto dos empréstimos feitos às distribuidoras de energia para os consumidores alcançará 2,6% em 2015, chegando a 5,6% em 2016 e 1,4% em 2017, considerando o montante de R$ 17,7 bilhões que será repassado para cobrir as despesas das distribuidoras, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (6), o ministério diz que o vencimento de concessões de geração de energia em 2015 vai amenizar significativamente o custo do empréstimo para as distribuidoras.
Segundo o MME, as concessões que vencem em 2015 terão energia contratada sob o regime de cotas de garantia física e de potência, o que fará com que a energia fique mais barata. As distribuidoras já fizeram um empréstimo de R$ 11,2 bilhões, mas agora o Ministério da Fazenda negocia um novo empréstimo, de R$ 6,5 bilhões, para amenizar o impacto da compra de energia mais cara de termelétricas pelas distribuidoras.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Último dia da Flip é marcado por descontração em mesa com Fernanda Torres


Da:Agência Brasil
A descontração marcou uma das mesas de destaque do último dia da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), com a participação da atriz Fernanda Torres e do escritor peruano Daniel Alarcon. Fernanda Montenegro foi ovacionada ao aparecer na plateia para prestigiar a filha.
Ambos declararam certa fobia a falar em público, mas o que se viu em seguida foi uma conversa solta e cheia de tiradas engraçadas. Fernanda, que lançou recentemente seu primeiro livro, Fim, acabou ofuscando o papel do mediador da mesa, o jornalista mexicano Ángel Gurría-Quintana, com perguntas e comentários sobre o segundo romance de Alarcón, Andando em Círculos, que fala sobre o amor, a guerra, o teatro, entre outros assuntos, em um Peru imaginado pelo autor.
Teve um momento em que os dois levaram a plateia às gargalhadas, Fernanda contou a Alarcón que três dias antes filmara uma cena de striptease para o programa em que atua na televisão. O ator é um ser que não vale nada. Espero não desonrar a literatura aqui na Flip. Há três dias estava fazendo um striptease na boate Laconga!”, declarou ela.
“Posso fazer um striptease", disse Alarcón, "mas ninguém me daria um centavo para fazerstriptease”, completou, e recebeu como resposta: “Pagaria para você fazer um striptease e muito. Esse aí vem com o Peru", complementou Fernanda.
Tanto Fernanda como Alarcón disseram que seus personagens parecem ter vida própria, cujo destino é delineado no desenrolar da escrita que, segundo eles, é uma forma de escapismo. Segundo ela, seu livro e o de Alarcón têm em comum uma falta de redenção. “A maior crítica que eu recebei sobre meu livro foi a falta da redenção. Mas o livro dele é apavorante, é muito pior que o meu”, provocando mais risadas na tenda lotada.
Para Alarcón, a cidade imaginária do livro é uma versão do Peru, a partir das memórias de sua infância, quando deixou seu país para viver com a família nos Estados Unidos. “O Peru me persegue. Amo meu país, mas tenho os olhos abertos para as coisas boas e ruins, como a corrupção e a miséria", comentou ele, que elogiou a presença de muitos autores latino-americanos na Flip.
"É bonito que o Brasil se integre mais com os países latinos. Precisamos de mais encontros como esse", declarou.

sábado, 2 de agosto de 2014

Mudou a festa ou mudamos nós?

                                                                  Walnize Carvalho
               Seis de agosto. Festa do Santíssimo Salvador.
            A memória afetiva vai em busca de tempos idos, quando a programação assim sinalizava: uma parte religiosa e uma parte profana.
            Atendendo a diferentes públicos, do programa da festa constavam: alvorada, novenário, missa campal, crisma, ladainhas com o coral do Conservatório de Música.
         Antes da procissão -  ponto alto das comemorações - havia o desfile de bandeiras.
          Para a missa solene, acorriam famílias representativas da sociedade, que se incumbiam de ornamentar o altar.
         Ao mesmo tempo, acontecia a prova ciclística e, sobre as águas do Paraíba, eram  apreciadas as famosas Regatas. Partidas de futebol eram disputadas entre os consagrados times Americano e Goitacaz, sem contar com a grande movimentação do Centro Galístico da rua do Gás...
          Na semana das festividades, ocorriam as retretas a cargo da Lira Guarani, da Sociedade Musical Operários Campistas e Lira Apolo, com músicos em uniforme de gala, que executavam verdadeiros concertos ao ar livre, levando ao povo, entre outras peças, a Ópera: “O Guarani”. Tais execuções dividiam-se entre os coretos das praças São Salvador e das Quatro Jornadas.
            Aconteciam também inúmeras exposições, que iam de trovas,  de livros de autores campistas a canários...
 Como esquecer o esmero dos lojistas para a disputa do  concurso de vitrinas , ao longo da avenida Sete e rua João Pessoa ? E as barraquinhas de jogos, de guloseimas, além dos vendedores de bandeirinhas, bolas coloridas, algodão doce...
À tardinha, as atenções se dirigiam para a sempre bem vinda exibição arrojada da Esquadrilha da Fumaça...
Shows artísticos com nomes nacionais e artistas locais, que faziam sucesso no Rádio, atraiam pessoas de toda faixa etária ao entardecer.
No fim da noite, em clima de confraternização, campistas e visitantes apreciavam a beleza dos fogos de artifício lançados aos céus e refletidos nas serenas águas do Rio Paraíba...
Chegamos  à mais uma Festa do Padroeiro.
Na programação, tradicionais eventos ainda ocorrem.
O que difere, talvez, seja a mudança de espaços físicos e de público presente. A diferença, creio, se dá pelo fato de que havia um cunho religioso e cívico muito marcantes e que em tempos atuais, tornando -se uma festa popular,  vem de agrado aos que, por esse motivo, se deslocam neste dia para prestigiar o evento. 



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Uma dose de João Ubaldo nesta manhã de inverno

O Verbo For

Uma dose de João Ubaldo não faz mal a ninguém...
João Ubaldo Ribeiro

Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício).

O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível, com citações decoradas, preferivelmente. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida, dos quais até hoje sei o comecinho.

Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A oral de latim era particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão, para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. Franzino, sempre de colete e olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre não perdoava.

— Traduza aí quousque tandem, Catilina, patientia nostra — dizia ele ao entanguido vestibulando.

— "Catilina, quanta paciência tens?" — retrucava o infeliz.

Era o bastante para o mestre se levantar, pôr as mãos sobre o estômago, olhar para a platéia como quem pede solidariedade e dar uma carreirinha em direção à porta da sala.

— Ai, minha barriga! — exclamava ele. — Deus, oh Deus, que fiz eu para ouvir tamanha asnice? Que pecados cometi, que ofensas Vos dirigi? Salvai essa alma de alimária. Senhor meu Pai!

Pode-se imaginar o resto do exame. Um amigo meu, que por sinal passou, chegou a enfiar, sem sentir, as unhas nas palmas das mãos, quando o mestre sentiu duas dores de barriga seguidas, na sua prova oral. Comigo, a coisa foi um pouco melhor, eu falava um latinzinho e ele me deu seis, nota do mais alto coturno em seu elenco.

O maior público das provas orais era o que já tinha ouvido falar alguma coisa do candidato e vinha vê-lo "dar um show". Eu dei show de português e inglês. O de português até que foi moleza, em certo sentido. O professor José Lima, de pé e tomando um cafezinho, me dirigiu as seguintes palavras aladas:

— Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o sujeito da primeira oração do Hino Nacional!

— As margens plácidas — respondi instantaneamente e o mestre quase deixa cair a xícara.

— Por que não é indeterminado, "ouviram, etc."?

— Porque o "as" de "as margens plácidas" não é craseado. Quem ouviu foram as margens plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que existem no hino. "Nem teme quem te adora a própria morte": sujeito: "quem te adora." Se pusermos na ordem direta...

— Chega! — berrou ele. — Dez! Vá para a glória! A Bahia será sempre a Bahia!

Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra "for" tanto podia ser do verbo "ser" quanto do verbo "ir". Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.

— Esse "for" aí, que verbo é esse?

Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.

— Verbo for.

— Verbo o quê?

— Verbo for.

— Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.

— Eu fonho, tu fões, ele fõe - recitou ele, impávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem.

Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.


Esta crônica foi publicada no jornal "O Globo" (e em outros jornais) na edição de domingo, 13 de setembro de 1998 e integra o livro "O Conselheiro Come", Ed Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2000, pág. 20.